domingo, 25 de outubro de 2009

Fotografia: A luta do Rio


Esta fotografia foi retirada do edição online da revista Visão, porém é da autoria da Associated Press A foto diz respeito aos recentes confrontos das quais foram palco algumas das maiores, e mais problemáticas, favelas da cidade brasileira do Rio de Janeiro, que recentemente foi escolhida para acolher os jogos olímpicos de 2016.
Trata-se, por isso, de uma imagem de fotojornalismo, como tal o seu autor pretende captar o momento de forma clara e objectiva, o que implica que tenha de recorrer ao uso de velocidades elevadas, de modo a congelar o movimento. Como é uma fotografia captada em cenário de guerra, nota-se que há uma distância relativa entre o fotógrafo e a acção, de onde se pode concluir que foi usada uma teleobjectiva.
O uso da teleobjectiva é evidenciado também pela profundidade de campo, uma vez que tanto o primeiro plano como o plano de fundo estão bastante desfocados. Deduzo assim que tenha sido usada uma abertura nunca inferior a 5.6, senão nem todo o corpo do soldado estaria focado, isto é , se o cotovelo estivesse bem focado provavelmente a ponta da arma já não estaria. Também não seria concerteza superior a 8, senão o fundo tornar-se-ia demasiado presente.
Como a luz em geral na imagem parece ser difusa e as cores não muito saturadas, pode deduzir-se que foi tirada num dia nublado, e como tal, a ausência de luz aliada ao uso de velocidades elevadas, implica uma sensibilidade bastante elevada, pelo menos ISO400, mas provavelmente superior.

sábado, 17 de outubro de 2009

Fotografia: Análise sem compromisso


Na elaboração deste trabalho deparei-me com um grave problema assim que o iniciei; Que tipo de imagem iria eu escolher? Sendo um leigo no que em matéria fotográfica diz respeito, creio mesmo que foi esta a fase à qual dediquei mais tempo na realização deste exercício. Vi imagens, revi e voltei a ver, desde as mais conhecidas e vencedoras de concursos a nível internacional, como as mais amadoras que se perdem entre as milhentas páginas de fotografia hoje existentes na nossa rede. Vi um pouco de tudo, desde fotojornalismo, publicidade, fotografias da natureza e até desportivas. Optei então por uma foto que me pareceu pensada previamente pelo autor, com a qual achei vir a ter, provavelmente, mais facilidade em analisar.

Esta fotografia foi retirada do site “1000 imagens”, uma comunidade fotográfica de língua portuguesa. Por se tratar de uma comunidade online, pode colocar lá as suas fotos quem pretender fazê-lo, assim é complicado dizer o nome do fotógrafo, uma vez que muitas vezes não usam o seu nome verdadeiro. Neste caso o fotógrafo intitula-se como sendo Erik Reis. Na galeria deste autor predominam as paisagens humanizadas, porém esta é uma das poucas fotografias que está a preto e branco.

Quanto à fotografia em si chamou-me à atenção por cinco aspectos que considero fundamentais nesta para a analisar, isto sem qualquer subjectividade na análise, são eles:

- O ângulo/ponto de vista baixo que o fotógrafo escolhe para obter uma imagem diferente, enquadrado bem a natureza e a bonita paisagem envolvente, tornando a foto pouco comum e original;

- A linha descontínua da estrada, que cria uma ilusão de óptica, ao fazer parecer que a linha, inicialmente descontínua, se vai progressivamente tornando contínua, à medida que a distância ao fotógrafo aumenta;

- A morfologia da estrada, côncava, e não plana, dando assim maior profundidade à imagem, aumentando a distância a que conseguimos observar a estrada por completo.

- A modelo que pousa para a foto ter um pé assente no chão e o outro ligeiramente assente, ou praticamente levantado, dependendo da perspectiva, fazem com que a análise da fotografia possa ser ainda mais subjectiva consoante quem a observa;

- A opção de usar o Preto & Branco cria um maior contraste do que o uso de cores, uma vez que diferencia na perfeição as zonas claras/escuras, que em conjunto criam um grande impacto e conferem um nível estético muito bom;


Penso que essencialmente nesta fotografia devemos procurar aquilo que o seu autor pretendeu caracterizar/representar, uma vez que é notório que foi uma foto previamente preparada pelo seu criador.

domingo, 11 de outubro de 2009

Desenho Gráfico: Cegueira é não querer ver


"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara"
É nesta frase, retirada do Livro dos Conselhos que José Saramago baseia este seu Romance onde está implícita, bem ao seu estilo, uma enorme crítica à cegueira em que a sociedade actual está envolvida. Cria assim um enredo onde toda a Humanidade cega, à excepção de uma só pessoa, e a partir daí reinventa gestos e acções em que demonstra como qualquer ser humano perdendo a visão perde grande parte da sua dignidade e da sua qualidade de vida.

Feita assim a contextualização da obra, resta-me explicar-te o porquê de ter optado por colocar aqui a capa deste livro.

Ao ser-me pedida a realização deste trabalho e enquanto me decidia por que imagem iria colocar aqui, apercebi-me que se tomarmos a necessária atenção observamos facilmente que no nosso dia a dia estamos rodeados por imagens criadas através de desenho gráfico.

Assim, decidi colocar aqui a capa do livro Ensaio sobre a Cegueira uma vez que ainda à bem pouco tempo o acabei de ler e a sua capa sempre me chamou a atenção. Como é óbvio uma capa deve cativar e interessar a um possível leitor, uma vez que a capa é um dos meios mais fortes para que um livro venha a ser adquirido.
Neste caso concreto a imagem não chama a atenção por ser particularmente bonita ou espectacular, ao invés, é extremamente simples e pouco elaborada. Porém, o conteúdo que transmite é mais vasto do que aquilo que parece transmitir. Em primeiro lugar é facilmente observável que todas as pessoas presentes na imagem se apoiam umas nas outras, sendo essa uma das formas mais fiáveis de se guiarem, uma vez que estão cegas. Por outro lado, os personagens presentes na imagem não estão definidos, pode ser qualquer pessoa, não se distinguem homens de mulheres, brancos e negros, jovens ou idosos; E é essa outra das ideia que é deixada transparecer, a de que todos se auxiliam independentemente do sexo ou da cor da pele. Assim o autor consegue demonstrar que pelo simples facto de não verem, as pessoas se esquecem de pormenores que realmente não interessem, que são secundários e têm pouca importância, porque ali o que de facto interessa é ajudarem-se mutuamente de modo a sobreviver à situação. Outro facto que chama a atenção na capa são as próprias cores, uma vez que o contraste entre o amarelo, do fundo, com o cinzento, das pessoas, está muito bem escolhido, pois se em vez do amarelo tivesse sido escolhido uma cor como o vermelho ou o azul a capa seria muito menos convidativa. Por ultimo, um factor também importante na imagem é a sua versatilidade, uma vez que a ideia que tinha da mensagem que ela parecia transmitir não foi a mesma antes de ler o livro e depois de o concluir. Conseguimos, portanto, analisar o desenho de diferente modo enquanto vamos evoluindo na leitura do livro.

Em suma, o que me cativou de facto nesta imagem foi o facto de apesar de ser tão simples, torna-se tão complexa, tendo em conta que transmite tanta informação com tão pouco conteúdo.

A partir de agora, vou olhar para o desenho gráfico de maneira diferente, certamente.